Era apenas uma noite chuvosa, nuvens negras escondiam as minhas estrelas. As gotas batiam em minha janela como facas afiadas prestes a perfurar meu peito, e a cada minuto a chuva só fazia aumentar, aquele barulho insuportável e agonizante perfurava cada parte dos meus pensamentos. Tentar fugir, focar em algo diferente que me ajude a esquecer ou apenas deixar de pensar, por alguns minutos tudo volta ao normal, a chuva se acalma e não me atormenta, me acalma feito uma canção de ninar, mais como tudo que é bom dura pouco um pesadelo momentâneo volta a surgir a cada gota, a cada facada em minha janela, meus olhos se fecham, gotas caem dos meus olhos e escorrem em direção ao meu peito, sarando a ferida ainda não feita mais sim sentida. Fechar os olhos pra esquecer, abrir os olhos e enxugar, me encolho em minha cama, relembrando momentos, tentar sonhar. Pode não parecer, pode não haver solução, posso estar sozinha agora temendo essa maldita sensação, fechar os olhos e ignorar essa chuva amarga que me toma a atenção. Eu ainda tento, eu não consigo, em um momento de solidão tudo o que venci desaba, como as gotas que vão de encontro ao chão. Essa noite chuvosa me diz muitas coisas, me sufoca dentro de mim mesma, o meu medo de sair, ir de encontro com um exercito de gotas em forma de facas afiadas, o medo de enfrentar meu céu sem estrelas, a agonia de estar presa dentro dentro de mim mesma, eu tenho direito a minha canção de ninar, como qualquer prisioneiro mereço um ultimo desejo. Nesse instante eu abro os olhos, e não a nada nem ninguém, apenas sombras que me põe pra baixo. Como um mar de areia movediça e em uma chuva ácida, eu me afogo, e me queimo. Eu espero nem que seja no fundo de tudo isso, a minha canção de ninar, o momento de virar o jogo ao meu favor.. enquanto isso, eu espero a chuva passar.
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