sexta-feira, 13 de maio de 2011

Escute meu silencio e me deixe ir embora

- Eu realmente tenho que te olhar nos olhos e dizer? – disse ele.
- Você não precisa me dizer nada se não for isso que você quer – respondeu ela o olhando nos olhos.
Quando do lado de fora a chuva não para, as coisas continuam as mesmas, as mentiras são as mesmas e ninguém naquele dia teve coragem, nenhum dos dois. Kristy fora embora e ele não conseguiu dizer tudo o que queria. Com a caixinha da aliança em cima da mesa ele lamentava.
Com uma despedida e uma conversa imaginaria em mente, ele saiu.
Por mais que as coisas pareçam ruins hoje, eu não tenho do o que reclamar não depois de tudo o que me aconteceu de bom. Desde daquele dia em que você me pediu pra ficar até hoje onde você já não me aguenta mais. Eu queria ter te dito antes, devia ter feito algo, devia ter ido embora. Ontem eu me dei conta que você é a razão de tudo de bom que me vem acontecendo e ainda é meu melhor motivo pra continuar, hoje eu resolvi ir embora, me testar, repensar, perceber se consigo viver uma vida sem você. Eu fiz e refiz minha mala umas 7 vezes de madrugada, pensei em te ligar e dizer ‘ei, te cuida’ ou um ‘ obrigada’ e desligar mas isso seria inútil e talvez você me pedisse pra ficar mais uma vez e eu ficaria.. eu não devia nem te deixar essa carta sabe, ou deveria, eu não sei. Eu sei que te escrevi uma vez que nunca te decepcionaria, que nunca iria embora, que te diria sempre a verdade... me desculpa. Eu não devia gostar de você dessa maneira, não mesmo, talvez você nem tenha percebido que eu sempre te quis também, mas isso não dá pra mudar então só escuta meu silencio e me deixa ir ta bom?”
- Onde você ta? Eu preciso falar com você, de você, por favor...
Em uma fuga não se deve atender o celular, sussurrava o locutor.
- Em uma despedida não se deve dizer eu te amo. Pelo menos, não quando você não pretende voltar. – disse ela pra si mesma no espelho.
Em olhos certos e momentos distantes, os desencontros são favoráveis à má sorte.
- Eu preciso de uma passagem só de ida para hoje no trem das 9h – disse ela.
Ele a espera do lado de fora com a caixinha na mão mesmo sem saber onde ela esta. Ele sempre irá esperar.
Três anos depois.
- Aonde você queria estar? – perguntou o doutor.
- Em um dos meus sonhos...
- O que tem de mais neles?
- Meu passado, com tudo o que eu sempre quis, por quê? Aonde eu deveria estar? – perguntou Kristy.
O doutor a respondeu com um sorriso fraco.
- Acho que acabamos por hoje, eu te digo na próxima.
Com uma trilha sonora tudo fica mais bonito, sussurrava o locutor.
- Um cappuccino, por favor – pediu ela a garçonete.
- Você pelo menos podia ter me concedido uma ultima dança antes de ir não acha? – perguntou Daniel sentando ao lado dela com a caixinha na mão.
Ela fechou os olhos e deixou que aquelas lágrimas escorressem.
- Eu não sei dançar – disse ela.
Ele a abraçou por traz beijando gentilmente seu pescoço.
- Você esqueceu como eu preciso de você? –sussurrou ele.
- Você devia esquecer – disse ela o abraçando também.
- Devia mesmo, mas eu te amo, e isso não dá pra mudar.
- Eu sei.

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